“For beautiful eyes, look for the good in others; for beautiful lips, speak only words of kindness; and for poise, walk with the knowledge that you are never alone.” - Audrey Hepburn
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Choices.
Sometimes we have to give up the small things we want NOW, for the greater, important things we've wanted all our lives...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Pensando melhor..
Após estudo aprofundado da mente masculina - vamos lá ser sinceros, não é preciso queimar muitas pestanas - estou disposta também a ser a bro de uma rapariga, ou melhor neste caso, a sis.
Twin , é com muito orgulho que te nomeio a minha sis oficial. Para celebrar a nossa sisterhood, noite no Mexican! Arribaaaaa!
Xo, G.
Twin , é com muito orgulho que te nomeio a minha sis oficial. Para celebrar a nossa sisterhood, noite no Mexican! Arribaaaaa!
Xo, G.
A Pinkaholic é uma bro.
Segundo o Barney, as gajas também dão bons bros. E porquê? Porque sendo o braço direito de um homem, podemos traduzir, simplificar e interpretar a mente confusa feminina, tornando mais fácil a caçada do bro da próxima gaja no bar/discoteca. Além disso, podemos sempre apresentar ao nosso bro, a amiga "podre de boa" e não esperar que o bro a volte a telefonar após ter dormido com ela.

Portanto, aceito propostas, acho que daria um bom wingman, ou melhor, wingwoman. Afinal, ser maria-rapaz durante toda a minha adolescência sempre deu os seus frutos.
Portanto, aceito propostas, acho que daria um bom wingman, ou melhor, wingwoman. Afinal, ser maria-rapaz durante toda a minha adolescência sempre deu os seus frutos.
How to dump your girlfriend in 6 words or less
Ando a ouvir um audiobook : "The Bro Code - by Barney Stinson"
Para quem não sabe quem é esta mente brilhante, comece a ver "How I Met Your Mother" , é o sujeito loiro sem papas na língua. A sério, it's hilarious.

No Bro Code, o Barney ensina os mandamentos básicos relativos a "como ser um bom bro", ou seja, um bom companheiro para todas as ocasiões, o braço direito, aquela pessoa que por nós, passo a citar, tirará a própria camisa do corpo, quando esta deixar de lhe agradar. Em suma é um amigo que estará sempre lá por nós, a não ser que tenha algo melhor para fazer.
Vou agora transcrever os conselhos do Barney : Como acabar com uma gaja em poucas palavras (na versão inglesa são 6 palavras ou menos, mas traduzido acaba por ser mais - Bolas nós portugueses complicamos tudo!)
1- Pede antes uma salada, querida.
2- Que giro, também estás a deixar crescer um bigode!
3- Ela parece uma versão mais nova tua.
4- Vou-te financiar um aumento mamário.
5- Mas a tua irmã deixou-me fazer isso..
God, you gotta love him.
Para quem não sabe quem é esta mente brilhante, comece a ver "How I Met Your Mother" , é o sujeito loiro sem papas na língua. A sério, it's hilarious.
No Bro Code, o Barney ensina os mandamentos básicos relativos a "como ser um bom bro", ou seja, um bom companheiro para todas as ocasiões, o braço direito, aquela pessoa que por nós, passo a citar, tirará a própria camisa do corpo, quando esta deixar de lhe agradar. Em suma é um amigo que estará sempre lá por nós, a não ser que tenha algo melhor para fazer.
Vou agora transcrever os conselhos do Barney : Como acabar com uma gaja em poucas palavras (na versão inglesa são 6 palavras ou menos, mas traduzido acaba por ser mais - Bolas nós portugueses complicamos tudo!)
1- Pede antes uma salada, querida.
2- Que giro, também estás a deixar crescer um bigode!
3- Ela parece uma versão mais nova tua.
4- Vou-te financiar um aumento mamário.
5- Mas a tua irmã deixou-me fazer isso..
God, you gotta love him.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Aventuras Felinas
Há uns dias o meu gato Jasper fugiu. Ou melhor, desceu do 2º andar pela árvore e decidiu andar por aí na rambóia uns diazitos (ele está castrado, por isso não faço ideia de que tipo de experiências andou ele à procura). Embora eu no fundo soubesse que ele haveria de voltar, também tinha noção de que ele não iria saber voltar a subir a árvore, come on ,ele é um gato caseiro, sabe lá o que é a vida de um felino a sério.
Não sabia era que ele ia querer voltar a casa às 8 da manhã de hoje, não deixando mais uma vez a dona dormir até às tantas, como me tenho prometido a mim mesma desde que começou a semana de pausa antes dos exames.
Acordei sobressaltada com o miar aflitivo do bicho, lá fui eu à varanda com o meu vestido de noite transparente e sem as lentes de contacto postas - sim espero mesmo que não tenha havido nenhum vizinho por perto, seja como for eu não consegui ver ninguém. Sim, literalmente, não conseguia ver ninguém, já que sou extremamente míope, mas lá consegui distinguir uma mancha preta e branca lá em baixo - o Jasper miando pateticamente.
O instinto maternal lá cedeu, e corri desesperadamente pela casa, enfiando as lentes pelos olhos adentro e repetindo "Espera Jaspyy a mamã já te vai salvar!". Quase pensei ir à rua com a tal camisa de noite transparente, mas sabendo como é a minha sorte, de certeza que os vizinhos todos iam decidir passear os cães aquela hora ou deitar fora o lixo, então lá enfiei umas calças de fato treino por baixo e umas botas de tipo esquiador. Ou seja, fiz uma figura muitooo melhor, não haja dúvida.
Salvei o Jasper, dei-lhe uma saqueta whiskas e deitei-me outra vez, com ele ao meu lado. O que me surpreendeu é que esta criatura tão ruinzinha, que nunca quer festas, que adora morder, estava completamente DESESPERADO e carente, deitou-se em cima de mim a ronronar e começou a mamar - repito - mamar, no meu robe peludo. A sério, este bicho deve ter passado por alguma experiência altamente traumática.
Está neste momento a roncar profundamente na minha cama, e julgo que assim ficará por mais umas 30h.
Até os gatos concordam que "Home is where the heart is". Ou , numa versão mais adequada:
..Home is where the milk is. :)
Xo, G.
Não sabia era que ele ia querer voltar a casa às 8 da manhã de hoje, não deixando mais uma vez a dona dormir até às tantas, como me tenho prometido a mim mesma desde que começou a semana de pausa antes dos exames.
Acordei sobressaltada com o miar aflitivo do bicho, lá fui eu à varanda com o meu vestido de noite transparente e sem as lentes de contacto postas - sim espero mesmo que não tenha havido nenhum vizinho por perto, seja como for eu não consegui ver ninguém. Sim, literalmente, não conseguia ver ninguém, já que sou extremamente míope, mas lá consegui distinguir uma mancha preta e branca lá em baixo - o Jasper miando pateticamente.
O instinto maternal lá cedeu, e corri desesperadamente pela casa, enfiando as lentes pelos olhos adentro e repetindo "Espera Jaspyy a mamã já te vai salvar!". Quase pensei ir à rua com a tal camisa de noite transparente, mas sabendo como é a minha sorte, de certeza que os vizinhos todos iam decidir passear os cães aquela hora ou deitar fora o lixo, então lá enfiei umas calças de fato treino por baixo e umas botas de tipo esquiador. Ou seja, fiz uma figura muitooo melhor, não haja dúvida.
Salvei o Jasper, dei-lhe uma saqueta whiskas e deitei-me outra vez, com ele ao meu lado. O que me surpreendeu é que esta criatura tão ruinzinha, que nunca quer festas, que adora morder, estava completamente DESESPERADO e carente, deitou-se em cima de mim a ronronar e começou a mamar - repito - mamar, no meu robe peludo. A sério, este bicho deve ter passado por alguma experiência altamente traumática.
Está neste momento a roncar profundamente na minha cama, e julgo que assim ficará por mais umas 30h.
Até os gatos concordam que "Home is where the heart is". Ou , numa versão mais adequada:
..Home is where the milk is. :)
Xo, G.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Carpe Diem?
My life sucks at the moment.
A vida de uma solteira aprisionada no meio de nenhures, sem carta de condução e sem dinheiro, não é tao glamourosa como soa.
Sábado, acordei, levei logo o meu cão a passear, vi um bocado de Simpsons e comi os restinhos de cereais que ainda haviam na dispensa.
Depois fui a pé às compras, isto é, recorrer aos minimercados da vila. A minha mãe já me tinha enviado um cheque da Irlanda, para eu me ir aguentando, mas para meu azar o dinheiro ainda não se encontra disponivel, e para me sustentar tinha a fantástica quantia de 7 euros na minha conta, e mais umas moeditas na carteira. Ora como eu ando sem vontadinha nenhuma de cozinhar, a prioridade era mesmo a comida dos animais - 1 cão e 3 gatos. (bolas agora sou a típica solteirona com a casa cheio de gatos - que clichè). Lá comprei então as saquetas e os biscoitos para eles, e mais uma coisita ou duas para eu não morrer à fome até o dinheiro estar disponível. Que t-r-i-s-t-e-z-a. Cheguei ao ponto de ter que pagar 3 euros em dinheiro e 6 euros e picos em cartão, no Minipreço. Depois, com sacos pesados cheios de nada de entusiasmante e uma chuvinha miúda irritante, voltei para casa.
Na minha solidão, decidi telefonar a alguém, ao que recebi uma sms cujo toque é a voz bem alta do Dean (fã do Supernatural, que posso dizer?) a dizer "Wow, you suck". A sms dava-me a feliz notícia de que não tinha dinheiro suficiente para fazer chamadas. Tentei então enviar uma sms, ao que recebi logo 4 ou 5 sms de seguida a dizer a mesma coisa, com o Dean mais uma vez a gozar comigo e os transeuntes a enviar-me olhares esquisitos por causa do "Wow you suck" estilo papagaio na minha mala.
Cruzei-me então com o maluquinho da vila, que disse: "Menina, não me arranja uma moedinhaa?"
Juro que QUASE desatei a rir.
Just livin' the dream.
A vida de uma solteira aprisionada no meio de nenhures, sem carta de condução e sem dinheiro, não é tao glamourosa como soa.
Sábado, acordei, levei logo o meu cão a passear, vi um bocado de Simpsons e comi os restinhos de cereais que ainda haviam na dispensa.
Depois fui a pé às compras, isto é, recorrer aos minimercados da vila. A minha mãe já me tinha enviado um cheque da Irlanda, para eu me ir aguentando, mas para meu azar o dinheiro ainda não se encontra disponivel, e para me sustentar tinha a fantástica quantia de 7 euros na minha conta, e mais umas moeditas na carteira. Ora como eu ando sem vontadinha nenhuma de cozinhar, a prioridade era mesmo a comida dos animais - 1 cão e 3 gatos. (bolas agora sou a típica solteirona com a casa cheio de gatos - que clichè). Lá comprei então as saquetas e os biscoitos para eles, e mais uma coisita ou duas para eu não morrer à fome até o dinheiro estar disponível. Que t-r-i-s-t-e-z-a. Cheguei ao ponto de ter que pagar 3 euros em dinheiro e 6 euros e picos em cartão, no Minipreço. Depois, com sacos pesados cheios de nada de entusiasmante e uma chuvinha miúda irritante, voltei para casa.
Na minha solidão, decidi telefonar a alguém, ao que recebi uma sms cujo toque é a voz bem alta do Dean (fã do Supernatural, que posso dizer?) a dizer "Wow, you suck". A sms dava-me a feliz notícia de que não tinha dinheiro suficiente para fazer chamadas. Tentei então enviar uma sms, ao que recebi logo 4 ou 5 sms de seguida a dizer a mesma coisa, com o Dean mais uma vez a gozar comigo e os transeuntes a enviar-me olhares esquisitos por causa do "Wow you suck" estilo papagaio na minha mala.
Cruzei-me então com o maluquinho da vila, que disse: "Menina, não me arranja uma moedinhaa?"
Juro que QUASE desatei a rir.
Just livin' the dream.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Bem, sempre é melhor que o copy paste da wikipédia
sábado, 9 de janeiro de 2010
Run for your life.
Estou oficialmente de volta aos treinos.
Retomei as minhas corridas - sou eu, as fieis sapatilhas mais velhas que tudo, o mp4 e o asfalto.
Celulitezinha, os teus dias estão contados... Mua hahaha!
domingo, 3 de janeiro de 2010
Back home in a whole new year
So I'm back.
A viagem de regresso foi atribulada. Para começar, estava aterrorizada com a ideia de ultrapassar o peso permitido para a mala de viagem (20kg) e dado que comprei 295700 champôs e outros cosméticos (vá lá, são mais baratos e interessantes que cá, tive que investir!),prendinhas, roupa super fashion e a minha mãe ainda a querer me impingir com chocolates e pacotes de comidas instantâneas vegetarianas ("but darling, you don't have any of these things in Portugal, please take them! I don't think you're eating properly there , you've lost weight!"), o limite estava perigosamente comprometido. No dia anterior à viagem, lá forcei as coisas dentro da mala, como nos filmes, sentando-me em cima e gritando em desespero (de notar que a mala é cor-de-rosa, muito mais cutchy que nos filmes). Depois - the moment of truth - a pesagem da mala na balança minúscula, o momento que adiei o máximo possível para evitar ter que deixar alguma preciosidade para trás. Foi uma aventura tentar pesar a maldita mala, já que para a colocar na balança a jeitos, deixava-se de se ver o mostrador. A minha mãe lá tentou e triunfantemente anunciou : "Olha, parece que não ultrapassaste nada o peso, aliás... está estranhamente leve...." Achei isto demasiado bom para ser verdade, ao que vi que as rodas ainda continuavam no chão, a mala assentando confortavelmente em cima da balança sem pesar quase nada. O resultado final foi confuso, o mostrador tinha números minúsculos e a pesagem não se provou nada fácil, mas parecia que estava perigosamente próximo dos 20 kgs. Decidi deixar um casaco e umas camisolas de malha por lá, a minha desculpa era que já tinha criado imunidade ao frio lá e que dificilmente iria precisar delas no Algarve. Espero não estar errada., but hey,ao menos ainda tenho os meus champôs.
No dia da viagem, acordei às 3 da manhã para apanhar o voo das 6 e meia em Belfast. Praticamente quebrei os ossinhos do braço a carregar a malinha de mão, já que decidi colocar lá tudo o que era pesado para não comprometar a mala do porão , que POR ACASO ao entregá-la no check-in estava a 2 kg do limite máximo. Bolas, podia ter enfiado mais uns cremes.
Descabelada, cansada e com olheiras do tamanho do mundo, lá me enfiei no avião, sentando-me no lugar da janela, como eu faço sempre (senão não é igual!) e rezando para que tivesse sorte como na ida para lá e ninguém se viesse sentar ao meu lado. Tenho pernas compridas, a viagem de carro para o aeroporto foi apertada o suficiente, logo esperava que o voo fosse mais tranquilo e confortável. À medida que as pessoas iam passando eu dizia baixinho "please don't sit here, please don't sit here, oh damn not you, you're huge and I need space, please don't sit here - unless you're Johnny Depp of course, please don't sit here, you have a crying baby lady don't even think about it, I had 3 hours of sleep last night" e lá fui tendo sorte. Eu costumo ser muito amigável, mas precisava meeeeesmo de estar à larga. Quando a última pessoa embarcou e se sentou mais atrás de mim e as hospedeiras começaram o ritual do colete salva-vidas e da máscara de oxigénio (pessoalmente não acho que estejam a transmitir uma imagem de muita confiança no piloto, mas talvez seja só eu) achei que o dia finalmente estava a correr bem. Mas não. Ainda vejo o momento em câmara-lenta, quando um casal português entrou esbaforido e tipicamente atrasado (bem à maneira portuguesa), aproximando-se eminentemente da minha fila onde estavam 2 lugares muito convidativos e vazios. Sustive a respiração , seguindo-os com os olhar e ao passarem por mim sem parar, respirei de alívio. Depois, tal como num filme de terror, em que o assassino ataca quando menos esperamos, surgiram de novo ao meu lado, com milhões de casacos e cachecóis em cima e quando olhei bem vi que o homem era ENORME. Quer dizer, para meu eterno desgosto a estatura média de um português é de 165,5cm, e agora que me dava jeito um Frodo pequeno e leve para não me apertar muito, vejo um híbrido Hagrid-Hulk a cair desajeitadamente ao meu lado, seguido de uma rapariga que não parava de tossir. Fixe, será que dou muito nas vistas se pedir à hospedeira uma máscara cirúrgica? Ou então se eu agarrar no saco de enjoos e fazer uma cara muito doente? Muitas ideias passaram pela minha cabeça, mas no fim lá me tive de conformar e apertei as pernas o máximo que pude. Ok, lá se vai a ideia de a meio da viagem ir buscar o portátil e ver os Brothers Grimm. Ou de, sem dar muito nas vistas, me esticar discretamente pelos 3 bancos e dormir uma bela soneca.
Para piorar, punham-se a espreitar descaradamente pela MINHA janela (só eu é que posso agir como uma criança de 2 anos que nunca andou de avião) e , sacando de uma máquina fotográfica com ar muito avançado, ainda se puseram a filmar! Ou seja, no filme caseiro do homem Hulk e da namorada com H1N1, aparece uma loira com cara de poucos amigos a amuar no canto. Bonito.
Enfim, já estou em casa e acho muito irónico que na terra do sol esteja praticamente sempre a chover e que na Irlanda tenha chuviscado uma ou duas vezes no máximo durante os 10 dias que lá estive.
Apesar disso, it's good to be back. Agora esperam-me 2 semanas de tortura máxima de queima de pestanas. New Year's resolution? Não deixar o estudo sempre para a última. (Yeah, right!)
Um ano muito cor-de-rosa para todos :)
Xo, G.
A viagem de regresso foi atribulada. Para começar, estava aterrorizada com a ideia de ultrapassar o peso permitido para a mala de viagem (20kg) e dado que comprei 295700 champôs e outros cosméticos (vá lá, são mais baratos e interessantes que cá, tive que investir!),prendinhas, roupa super fashion e a minha mãe ainda a querer me impingir com chocolates e pacotes de comidas instantâneas vegetarianas ("but darling, you don't have any of these things in Portugal, please take them! I don't think you're eating properly there , you've lost weight!"), o limite estava perigosamente comprometido. No dia anterior à viagem, lá forcei as coisas dentro da mala, como nos filmes, sentando-me em cima e gritando em desespero (de notar que a mala é cor-de-rosa, muito mais cutchy que nos filmes). Depois - the moment of truth - a pesagem da mala na balança minúscula, o momento que adiei o máximo possível para evitar ter que deixar alguma preciosidade para trás. Foi uma aventura tentar pesar a maldita mala, já que para a colocar na balança a jeitos, deixava-se de se ver o mostrador. A minha mãe lá tentou e triunfantemente anunciou : "Olha, parece que não ultrapassaste nada o peso, aliás... está estranhamente leve...." Achei isto demasiado bom para ser verdade, ao que vi que as rodas ainda continuavam no chão, a mala assentando confortavelmente em cima da balança sem pesar quase nada. O resultado final foi confuso, o mostrador tinha números minúsculos e a pesagem não se provou nada fácil, mas parecia que estava perigosamente próximo dos 20 kgs. Decidi deixar um casaco e umas camisolas de malha por lá, a minha desculpa era que já tinha criado imunidade ao frio lá e que dificilmente iria precisar delas no Algarve. Espero não estar errada., but hey,ao menos ainda tenho os meus champôs.
No dia da viagem, acordei às 3 da manhã para apanhar o voo das 6 e meia em Belfast. Praticamente quebrei os ossinhos do braço a carregar a malinha de mão, já que decidi colocar lá tudo o que era pesado para não comprometar a mala do porão , que POR ACASO ao entregá-la no check-in estava a 2 kg do limite máximo. Bolas, podia ter enfiado mais uns cremes.
Descabelada, cansada e com olheiras do tamanho do mundo, lá me enfiei no avião, sentando-me no lugar da janela, como eu faço sempre (senão não é igual!) e rezando para que tivesse sorte como na ida para lá e ninguém se viesse sentar ao meu lado. Tenho pernas compridas, a viagem de carro para o aeroporto foi apertada o suficiente, logo esperava que o voo fosse mais tranquilo e confortável. À medida que as pessoas iam passando eu dizia baixinho "please don't sit here, please don't sit here, oh damn not you, you're huge and I need space, please don't sit here - unless you're Johnny Depp of course, please don't sit here, you have a crying baby lady don't even think about it, I had 3 hours of sleep last night" e lá fui tendo sorte. Eu costumo ser muito amigável, mas precisava meeeeesmo de estar à larga. Quando a última pessoa embarcou e se sentou mais atrás de mim e as hospedeiras começaram o ritual do colete salva-vidas e da máscara de oxigénio (pessoalmente não acho que estejam a transmitir uma imagem de muita confiança no piloto, mas talvez seja só eu) achei que o dia finalmente estava a correr bem. Mas não. Ainda vejo o momento em câmara-lenta, quando um casal português entrou esbaforido e tipicamente atrasado (bem à maneira portuguesa), aproximando-se eminentemente da minha fila onde estavam 2 lugares muito convidativos e vazios. Sustive a respiração , seguindo-os com os olhar e ao passarem por mim sem parar, respirei de alívio. Depois, tal como num filme de terror, em que o assassino ataca quando menos esperamos, surgiram de novo ao meu lado, com milhões de casacos e cachecóis em cima e quando olhei bem vi que o homem era ENORME. Quer dizer, para meu eterno desgosto a estatura média de um português é de 165,5cm, e agora que me dava jeito um Frodo pequeno e leve para não me apertar muito, vejo um híbrido Hagrid-Hulk a cair desajeitadamente ao meu lado, seguido de uma rapariga que não parava de tossir. Fixe, será que dou muito nas vistas se pedir à hospedeira uma máscara cirúrgica? Ou então se eu agarrar no saco de enjoos e fazer uma cara muito doente? Muitas ideias passaram pela minha cabeça, mas no fim lá me tive de conformar e apertei as pernas o máximo que pude. Ok, lá se vai a ideia de a meio da viagem ir buscar o portátil e ver os Brothers Grimm. Ou de, sem dar muito nas vistas, me esticar discretamente pelos 3 bancos e dormir uma bela soneca.
Para piorar, punham-se a espreitar descaradamente pela MINHA janela (só eu é que posso agir como uma criança de 2 anos que nunca andou de avião) e , sacando de uma máquina fotográfica com ar muito avançado, ainda se puseram a filmar! Ou seja, no filme caseiro do homem Hulk e da namorada com H1N1, aparece uma loira com cara de poucos amigos a amuar no canto. Bonito.
Enfim, já estou em casa e acho muito irónico que na terra do sol esteja praticamente sempre a chover e que na Irlanda tenha chuviscado uma ou duas vezes no máximo durante os 10 dias que lá estive.
Apesar disso, it's good to be back. Agora esperam-me 2 semanas de tortura máxima de queima de pestanas. New Year's resolution? Não deixar o estudo sempre para a última. (Yeah, right!)
Um ano muito cor-de-rosa para todos :)
Xo, G.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Beauty on Ice
Isto é na casa de alguém, encontrada por acaso num dos meus passeios. Não resisti a capturar tal beleza, imortalizando este paraíso gelado.

Embora tenha sido extremamente poético entrar num mundo à parte, quase como uma alice no país das maravilhas, em que o tempo parece congelar, uma pequena parte de mim receava que o dono da casa fosse sair a qualquer minuto esbaforido com uma caçadeira na mão, por uma rapariga desavergonhada estar a corromper a neve virgem do seu jardim e fotografar o seu património para depois espalhar num blog qualquer, sem atribuir quaisquer direitos de autor. Thankfully, that didn't happen.
Giant's Causeway
Giant's causeway (calçada dos gigantes) - Portballintrae, Bushmills, Coleraine, UK
Absolutamente lindo, de cortar a respiração.
Absolutamente lindo, de cortar a respiração.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Lovely Christmas Day
Esta manhã. O sonho era que caíssem mesmo flocos de neve. Mas só vejo assim, já no chão. Mas não perdi a esperança!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Pinkaholic in Ireland
Foto tirada durante uma ida às compras
Esta acho particularmente preciosa. Como o frigorífico da casa da minha mãe é muito pequeno, e a época natalícia alberga nada menos que toneladas de comida, tivemos que arranjar uma solução. E aqui está, frigorífico à moda antiga, basta uma caixa de plástico e atira-a para a rua, os graus negativos tratam do resto!
Nada melhor que um Natal com neve.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A pinkaholic não é normal
Sempre me tive que sujeitar a perguntas incómodas, irritantes e por vezes ridículas. Durante a minha infância, as tias, vizinhas amigas da avozinha e afins sempre acharam a minha altura motivo de grande espanto.
"Mas que rica moça, hã, tá uma matulona!"
Ao que eu retribuia com o meu mais amarelo sorriso, tentando não roer a minha própria língua de tanta raiva que tinha por aquela palavra começada por M. Matulona. Não era uma menina cutchy, nem fofinha, mesmo que fizesse trancinhas e me vestisse de cor-de-rosa. Era Matulona. E isto repetia-se vezes sem conta, mesmo que a pessoa me visse passado uma semana, na opinião dela já eu tinha crescido mais meio metro.
"Não senhora, não é você que está a mirrar, sou eu que como adubo ao pequeno almoço, esteja descansada"
A meio da adolescência, quando ultrapassei os anos sofridos de falta de proporcionalidade corporal, as observações eram outras:
"Mas és mesmo alta, sabias?" - "Humm, a sério?? Vivo comigo mesma desde que nasci, e tenho quase a certeza que tenho um espelho em casa, além de que felizmente sei ler e interpretar o meu bilhete de identidade, que por acaso lá tem a minha altura,e para o caso das dúvidas quando compro calças não tenho que fazer bainha. Ah, e daqui de cima vejo que tens falta de retocar as raízes, querida"
É claro que eu nunca digo nada disso. De seguida vem a minha personal favourite:
"Então e por acaso jogas basket? Olha e já pensaste em ir para modelo, olha que se fosse a ti, nem pensava duas vezes!"
Mas será que uma pessoa de um metro e oitenta não tem mais opções de vida a não ser jogar basket (que por acaso até gosto de dar uns toques muito de vez em quando mas não passa disso) ou ser modelo?? É que sinceramente, nunca vi ninguém abordar uma rapariga muito gorda e perguntar-lhe se por acaso é cantora de ópera e se não o é, devia considerá-lo como carreira de sucesso. Ou então uma rapariga mais peluda e dizer-lhe que devia ir para o circo tentar atingir o estatuto de mulher barbuda.
"Mas devias mesmo, e olha que daqui a uns aninhos já é tarde demais, devias já estar a ir a castings, fazer books, portfolios.. Tic toc tic toc!"
Sim, realmente vejo estou a perder tempo na universidade a tirar um curso. É que há gente que adora desperdiçar a vida , anda prai a estudar, em vez de ser fotografada, vomitar tudo o que come e andar nas passerelles meio nua. Chiça!
O engraçado é que eu, como adoro perguntas deste género, um lindo dia achei que a minha vida estava demasiado normal e recusei-me a comer animais:
"A sério, és vegetariana?? Mas comes peixe, certo?"
Sem comentários. Isto do vegetarianismo fica para outro post, que agora vou acabar de fazer a minha mala para amanhã.
Xo, G.
"Mas que rica moça, hã, tá uma matulona!"
Ao que eu retribuia com o meu mais amarelo sorriso, tentando não roer a minha própria língua de tanta raiva que tinha por aquela palavra começada por M. Matulona. Não era uma menina cutchy, nem fofinha, mesmo que fizesse trancinhas e me vestisse de cor-de-rosa. Era Matulona. E isto repetia-se vezes sem conta, mesmo que a pessoa me visse passado uma semana, na opinião dela já eu tinha crescido mais meio metro.
"Não senhora, não é você que está a mirrar, sou eu que como adubo ao pequeno almoço, esteja descansada"
A meio da adolescência, quando ultrapassei os anos sofridos de falta de proporcionalidade corporal, as observações eram outras:
"Mas és mesmo alta, sabias?" - "Humm, a sério?? Vivo comigo mesma desde que nasci, e tenho quase a certeza que tenho um espelho em casa, além de que felizmente sei ler e interpretar o meu bilhete de identidade, que por acaso lá tem a minha altura,e para o caso das dúvidas quando compro calças não tenho que fazer bainha. Ah, e daqui de cima vejo que tens falta de retocar as raízes, querida"
É claro que eu nunca digo nada disso. De seguida vem a minha personal favourite:
"Então e por acaso jogas basket? Olha e já pensaste em ir para modelo, olha que se fosse a ti, nem pensava duas vezes!"
Mas será que uma pessoa de um metro e oitenta não tem mais opções de vida a não ser jogar basket (que por acaso até gosto de dar uns toques muito de vez em quando mas não passa disso) ou ser modelo?? É que sinceramente, nunca vi ninguém abordar uma rapariga muito gorda e perguntar-lhe se por acaso é cantora de ópera e se não o é, devia considerá-lo como carreira de sucesso. Ou então uma rapariga mais peluda e dizer-lhe que devia ir para o circo tentar atingir o estatuto de mulher barbuda.
"Mas devias mesmo, e olha que daqui a uns aninhos já é tarde demais, devias já estar a ir a castings, fazer books, portfolios.. Tic toc tic toc!"
Sim, realmente vejo estou a perder tempo na universidade a tirar um curso. É que há gente que adora desperdiçar a vida , anda prai a estudar, em vez de ser fotografada, vomitar tudo o que come e andar nas passerelles meio nua. Chiça!
O engraçado é que eu, como adoro perguntas deste género, um lindo dia achei que a minha vida estava demasiado normal e recusei-me a comer animais:
"A sério, és vegetariana?? Mas comes peixe, certo?"
Sem comentários. Isto do vegetarianismo fica para outro post, que agora vou acabar de fazer a minha mala para amanhã.
Xo, G.
Etiquetas:
Pinkaholic's life
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Ainda falta algum tempo até 2012, tenham dó
Não sei que mensagem me andam a tentar transmitir, mas cair o tecto do Jumbo, sítio que é praticamente a minha segunda casa; um sismo ontem a 1 e tal da manhã enquanto terminava um trabalho e esta manhã ficar barricada dentro da minha própria casa de banho durante meia hora estando sozinha em casa; parece-me algo digno da saga "Último Destino".
Medo.
Medo.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Big Expectations.
Continuando a viagem pelas memórias da minha infância, outra coisa que adorei rever na aldeia onde cresci foi o minimercado da Dona Paulina. Ah, tantas vezes que tive que subir a estradinha da minha casa até lá, passando pela igreja e pelos HOMENS. Sim, os Homens. Os Homens eram umas figurinhas patéticas, uns mais velhotes que outros, que se sentavam nos bancos à frente da igreja e que lá ficavam o dia todo na palheta e admirar as meninas que passavam. Sim os Homens existem em todo o lado, mas nas pequenas aldeias existem os de pior espécie. Tantas vezes que dizia à minha mãe : "Mas mãe eu não quero ir comprar pão à da Dona Paulina, estão lá os Homens". Ao que a minha mãe se ria e dizia sempre algo do género :" Don´t be silly darling, just go up quickly, don't take any notice of the Homens, but if they say anything just tell them to stick it". Nesta altura ela tentaria desesperadamente fazer o gesto com a mão que até este dia nunca conseguiu dominar. Juro, ela bem que tenta mas aquele dedinho do meio não consegue ficar em pé sozinho. Ela tem que agarrar nos outros dedos todos, muito concentrada para poder fazer o gesto mas muitas vezes ela não tem paciência e estica o dedo indicador. é algo admirável de se ver quando ela se irrita ao volante e lá levanta o dedo da melhor forma que sabe ao que as pessoas se limitam a olhar para o céu admiradas, perguntando-se a si mesmas para o que o raio é que aquela cámon maluca está apontando.
Mas voltando ao minimercado e aos Homens. Foi aí que começou o meu trauma por tudo o que eram trabalhadores das obras, velhotes rebarbados, bêbedos e basicamente qualquer figura masculina acima dos 19 anos (sim mais que isso para mim era VELHO E NOJENTO).Os Homens do minimercado da Dona Paulina.Mas não lhe chamem mini-mercado, POR FAVOR. Para ela, aquele estabelecimento comercial é de maior calibre que qualquer Jumbo ou Continente. Passo a explicar: embora a D.Paulina seja dona de uma loja minúscula, que vende apenas o básico e que é frequentado apenas por gente da aldeia e uns quantos estrangeiros que lá vivem pelos arredores pois adoram o sossego da zona, ela investiu em....
...esperem por isto:
....
portas deslizantes!
Sim, portas deslizantes, daquelas automáticas, presentes em qualquer hipermercado. Portas de vidro deslizantes que dão para a lojinha mais singela e sem graça à face da terra.
Quando ela deu este passo na modernização da loja, foi aí que aprendi uma das maiores lições da minha vida.
Qualquer um de nós, até o mais insignificante, pode sonhar alto.
Mas voltando ao minimercado e aos Homens. Foi aí que começou o meu trauma por tudo o que eram trabalhadores das obras, velhotes rebarbados, bêbedos e basicamente qualquer figura masculina acima dos 19 anos (sim mais que isso para mim era VELHO E NOJENTO).Os Homens do minimercado da Dona Paulina.Mas não lhe chamem mini-mercado, POR FAVOR. Para ela, aquele estabelecimento comercial é de maior calibre que qualquer Jumbo ou Continente. Passo a explicar: embora a D.Paulina seja dona de uma loja minúscula, que vende apenas o básico e que é frequentado apenas por gente da aldeia e uns quantos estrangeiros que lá vivem pelos arredores pois adoram o sossego da zona, ela investiu em....
...esperem por isto:
....
portas deslizantes!
Sim, portas deslizantes, daquelas automáticas, presentes em qualquer hipermercado. Portas de vidro deslizantes que dão para a lojinha mais singela e sem graça à face da terra.
Quando ela deu este passo na modernização da loja, foi aí que aprendi uma das maiores lições da minha vida.
Qualquer um de nós, até o mais insignificante, pode sonhar alto.
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pinkaholic's childhood
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Lei da selva.
Há pouco tempo fui visitar a aldeia onde passei a maior parte da minha infância. Vivia numa casa alugada mesmo colada a uma escola primária, o que era conveniente para mim, mas mesmo assim ainda conseguia por vezes chegar atrasada às aulas. É defeito já tatuado nos meus genes, nada a fazer.
Ter a casa justaposta à escola primária tinha as suas vantagens, quando o pessoal jogava à bola - e nesta aldeia só há mesmo um campo de futebol - a bola muitas vezes ia para além da rede e parava onde? No meu quintal (meu salvo seja, do meu senhorio mal humorado). Ora aqui a Je sentia-se a maior da sua rua (também não havia mais nenhuma, mas isso são pormenores). Algum problema? Chama-se a Pinkaholic.
Ainda me lembro do primeiro dia de aulas. Luzes fortes, miúdos com ar assustado por todo o lado, carteiras, livros, um quadro negro na parede..Ninguém me avisou que ISTO era a escola. Qual quê, não tive meias medidas, fugi para casa e escondi-me atrás do sofá. A professora Alierta teve que ir lá convencer-me a voltar, a minha mãe envergonhadíssima como tudo, e no fim concordei em voltar, desde que pudesse levar a minha bicicleta cor-de-rosa com rodinhas de apoio. Claro que ela deixou, e começou nesse momento o reinado da Pinkaholic na escola primária, que logo no primeiro dia de aulas deixou os novos colegas de turma andar na bicicleta cor-de-rosa (sim, até os rapazes). A bicicleta foi um dos inúmeros gadgets que eu levava para a escola, já que morando a poucos metros de distância, a minha mãe não parecia se importar de eu levar para lá os brinquedos - vamos ser realistas : separando o quintal do recreio havia apenas uma rede, fui praticamente homeschooled!
Uma coisa que me surpreendeu bastante quando fui revisitar a aldeia, foi a melhoria das condições do recreio da escola: os baloiços, escorrega e todas as outras diversões são agora feitas de plástico sem ângulos pontiagudos, tudo fofinho, o chão feito de um material esponjoso sem perigo para as crianças. Mas elas agora são mariquinhas ou quê? Que seres humanos estamos nós a criar, que nem brincar como manda a lei da selva, podem?? Que valores vão eles aprender? "Ah bati com a cabecinha no chão! Espera, é feito de marshmallows e algodão doce, vamos-nos lá todos atirar do escorrega , a vida afinal não é nada dificil!"
Ah, no meu tempo não. Tínhamos O escorrega. Um escorrega de 30 metros de altura, ou pelo menos era o que me parecia nesse tempo. Era de madeira, e digamos que já não era propriamente novo, sendo que as tábuas estavam todas gastas, com farpas espetadas e puas a espreitar prontas a atacar o rabinho do miúdo desprevenido. Era um risco que estávamos dispostos a correr.
Tínhamos umas barras de ferro. Sim ferro duro e já corroído, que deixava as mãos com aquele cheiro metálico e bocadinhos de ferrugem. Usávamos essas barras e digo-vos, éramos dignos de um "Cirque de Soleil". Por baixo, a proteger do cimento, apenas uma fina camada de areia com conchinhas e pedrinhas bem afiadas, e com sorte, moedas perdidas (nunca me esquecerei de quando caí das barras e ia começar a chorar, mas vi uma moedinha reluzente de 50 escudos. Galo na cabeça? Qual galo? Ainda dizem que o dinheiro não traz felicidade, fiquei radiante o resto do dia!)
No meu tempo ir para o recreio, isso sim, era uma aventura.
Ter a casa justaposta à escola primária tinha as suas vantagens, quando o pessoal jogava à bola - e nesta aldeia só há mesmo um campo de futebol - a bola muitas vezes ia para além da rede e parava onde? No meu quintal (meu salvo seja, do meu senhorio mal humorado). Ora aqui a Je sentia-se a maior da sua rua (também não havia mais nenhuma, mas isso são pormenores). Algum problema? Chama-se a Pinkaholic.
Ainda me lembro do primeiro dia de aulas. Luzes fortes, miúdos com ar assustado por todo o lado, carteiras, livros, um quadro negro na parede..Ninguém me avisou que ISTO era a escola. Qual quê, não tive meias medidas, fugi para casa e escondi-me atrás do sofá. A professora Alierta teve que ir lá convencer-me a voltar, a minha mãe envergonhadíssima como tudo, e no fim concordei em voltar, desde que pudesse levar a minha bicicleta cor-de-rosa com rodinhas de apoio. Claro que ela deixou, e começou nesse momento o reinado da Pinkaholic na escola primária, que logo no primeiro dia de aulas deixou os novos colegas de turma andar na bicicleta cor-de-rosa (sim, até os rapazes). A bicicleta foi um dos inúmeros gadgets que eu levava para a escola, já que morando a poucos metros de distância, a minha mãe não parecia se importar de eu levar para lá os brinquedos - vamos ser realistas : separando o quintal do recreio havia apenas uma rede, fui praticamente homeschooled!
Uma coisa que me surpreendeu bastante quando fui revisitar a aldeia, foi a melhoria das condições do recreio da escola: os baloiços, escorrega e todas as outras diversões são agora feitas de plástico sem ângulos pontiagudos, tudo fofinho, o chão feito de um material esponjoso sem perigo para as crianças. Mas elas agora são mariquinhas ou quê? Que seres humanos estamos nós a criar, que nem brincar como manda a lei da selva, podem?? Que valores vão eles aprender? "Ah bati com a cabecinha no chão! Espera, é feito de marshmallows e algodão doce, vamos-nos lá todos atirar do escorrega , a vida afinal não é nada dificil!"
Ah, no meu tempo não. Tínhamos O escorrega. Um escorrega de 30 metros de altura, ou pelo menos era o que me parecia nesse tempo. Era de madeira, e digamos que já não era propriamente novo, sendo que as tábuas estavam todas gastas, com farpas espetadas e puas a espreitar prontas a atacar o rabinho do miúdo desprevenido. Era um risco que estávamos dispostos a correr.
Tínhamos umas barras de ferro. Sim ferro duro e já corroído, que deixava as mãos com aquele cheiro metálico e bocadinhos de ferrugem. Usávamos essas barras e digo-vos, éramos dignos de um "Cirque de Soleil". Por baixo, a proteger do cimento, apenas uma fina camada de areia com conchinhas e pedrinhas bem afiadas, e com sorte, moedas perdidas (nunca me esquecerei de quando caí das barras e ia começar a chorar, mas vi uma moedinha reluzente de 50 escudos. Galo na cabeça? Qual galo? Ainda dizem que o dinheiro não traz felicidade, fiquei radiante o resto do dia!)
No meu tempo ir para o recreio, isso sim, era uma aventura.
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Serei a única..
..que evita ir ao pingo doce por causa da música que irritante nem chega para a descrever, que toca em loop sem parar, pra nem falar dos cartazes de uma mulher a sorrir em cada secção do supermercado, que para mim me parece um pouco sinistro mas talvez seja eu com a mania da perseguição?
É que cada vez mais me parece um daqueles filmes em que tentam fazer um brainwash total à população e quero me certificar que não sou a única pessoa sã no meio de milhares de pessoas-robô que "vão ao pingo-doce de janeiro a janeiro".
É que cada vez mais me parece um daqueles filmes em que tentam fazer um brainwash total à população e quero me certificar que não sou a única pessoa sã no meio de milhares de pessoas-robô que "vão ao pingo-doce de janeiro a janeiro".
Oh, the shame!
Acabei de comer um Pai Natal de chocolate inteiro. De uma vez só. Bolas, logo agora que me andava a portar tão bem..O Natal dá cabo de mim!
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